Time interno ou terceirizado de tecnologia: qual escolher?
Se a tecnologia é o produto da sua empresa, ou se você já sabe o que precisa construir pelos próximos anos, monte um time interno. Se a tecnologia serve para a operação rodar melhor e você ainda não sabe bem por onde começar, um time terceirizado costuma resolver antes e com menos risco. A decisão depende menos do preço da hora e mais de quanto a tecnologia pesa no seu negócio e de quanto você consegue gerir.
Este texto é para quem vai assinar o cheque, não para quem vai escrever o código. A ideia é mostrar o que entra na conta de cada lado, sem vender uma resposta pronta.
Qual é a diferença real entre as duas opções?
Time interno são pessoas contratadas pela sua empresa, com carteira ou contrato de longo prazo, que trabalham só para você. Elas conhecem a casa, estão nas reuniões, respondem para alguém da sua liderança.
Time terceirizado é uma empresa de fora que assume o papel de time de tecnologia. Um bom time terceirizado senta com os sócios e com quem toca a operação, entende onde o trabalho trava e constrói o que resolve. Na prática, funciona como um time interno que você não precisou contratar um por um.
Muda quem carrega o risco de montar, manter e gerir o time. No interno, é você. No terceirizado, boa parte fica com o parceiro.
Quando o time interno é a melhor escolha?
Em alguns casos, montar o próprio time é a decisão certa.
O primeiro é quando o software é o que você vende. Se a sua receita vem de um sistema que os clientes usam, esse sistema é o coração da empresa. Faz sentido que as pessoas que o constroem estejam dentro de casa, com dedicação total e visão de longo prazo.
O segundo é quando a demanda é grande, constante e previsível. Se você sabe que vai ter trabalho de tecnologia para várias pessoas o ano inteiro, pelos próximos anos, o time interno tende a compensar com o tempo.
O terceiro é quando você já tem alguém capaz de liderar. Um time de tecnologia sem liderança técnica dentro da empresa vira um grupo de pessoas executando pedidos soltos. Se você tem, ou consegue atrair, alguém sênior para montar e conduzir esse time, o cenário muda bastante.
Se as três coisas se aplicam à sua empresa, provavelmente você deveria estar montando um time próprio, e um parceiro de fora pode ajudar no começo ou em projetos pontuais.
Quanto custa de verdade montar um time interno?
A conta que a maioria faz é olhar o salário de mercado de um desenvolvedor e multiplicar pelo número de pessoas. Essa conta erra para baixo. O custo real tem várias camadas, e cada uma varia muito de empresa para empresa.
Tempo para contratar
Encontrar bons profissionais de tecnologia leva tempo. Tem a divulgação da vaga, a triagem, as entrevistas, o teste técnico e a negociação. Se ninguém na sua empresa entende de tecnologia, fica difícil até saber se o candidato é bom. Durante esse período, o problema que motivou a contratação continua lá, custando dinheiro.
Salário mais encargos
O salário é só uma parte. Somam-se os encargos trabalhistas, benefícios, equipamento, licenças de ferramentas e o espaço físico ou a estrutura para trabalho remoto. Peça ao seu contador para fazer essa conta com os números da sua empresa. Ela costuma surpreender.
Gestão
Alguém precisa definir prioridades, acompanhar entregas, revisar o que foi feito e decidir o que vem depois. Se esse alguém é você, reserve horas da sua semana para isso. Se é uma pessoa nova, some mais um salário. Sem essa gestão, o time acaba decidindo sozinho o que é prioridade, e nem sempre acerta.
Risco de contratar errado
Uma contratação errada em tecnologia demora a aparecer. Muitas vezes só se descobre meses depois, quando o sistema começa a dar problema ou quando outra pessoa olha o que foi feito. Aí tem o custo do tempo perdido, do trabalho refeito e de uma nova contratação.
Rotatividade
Profissionais de tecnologia trocam de emprego com frequência. Quando alguém sai, leva junto o que sabia e a empresa volta para o começo do processo seletivo. Se o time é pequeno, uma única saída pode parar tudo.
Conhecimento concentrado
Esse é o risco mais silencioso. Em time pequeno, é comum que uma pessoa só saiba como o sistema funciona. Ela vira o ponto único de falha. Se tira férias, adoece ou pede demissão, ninguém consegue mexer no que ela construiu. Muita empresa já viveu isso com uma planilha que só um funcionário entendia. Com software, o problema é o mesmo, só que maior.
Nenhum desses itens torna o time interno uma má ideia. Eles só precisam entrar na conta antes da decisão, e não depois.
E o que entra no custo de um time terceirizado?
O custo de um time de tecnologia terceirizado é mais fácil de enxergar, porque vem em um contrato. Mas também tem pontos de atenção.
Você paga pelo trabalho e por uma estrutura que já existe. Contratação, gestão técnica, reposição de pessoas e ferramentas ficam com o parceiro. O valor por hora pode parecer mais alto que o salário de um funcionário, porque ele embute tudo aquilo que no time interno aparece espalhado em outras linhas do orçamento.
Os riscos são outros. Um parceiro ruim entrega devagar, some quando algo quebra ou deixa um sistema que só ele consegue manter. Por isso vale olhar três coisas antes de fechar.
A primeira é de quem fica o código. O sistema construído para a sua empresa deve ser da sua empresa, com acesso total, sem depender do fornecedor para existir.
A segunda é como o parceiro trabalha no dia a dia. Ele conversa com quem faz o trabalho na ponta ou só com a diretoria? Mostra versões funcionando cedo ou só no final?
A terceira é o que acontece se a parceria acabar. Um bom time de fora deixa o que construiu documentado e organizado o suficiente para outra equipe assumir.
Em que situações o terceirizado faz mais sentido?
Para empresas que faturam bem, dependem de processo e não têm um time de tecnologia de verdade, o terceirizado costuma ser o melhor ponto de partida. Alguns sinais apontam nessa direção.
Você sabe que tem problema, mas não sabe exatamente qual sistema construir. A planilha virou sistema e ninguém confia mais nela. A equipe copia dado à mão de uma ferramenta para outra. Um processo inteiro depende de uma pessoa só. Tem um sistema antigo que ninguém quer mexer. A empresa paga caro por um software que não encaixa no jeito como ela trabalha.
Nesses casos, contratar um time interno do zero significa gastar meses montando a equipe antes de resolver qualquer coisa. Um time de fora começa a trabalhar em semanas, com gente que já resolveu problemas parecidos.
Outro sinal é a demanda irregular. Se você precisa de muita tecnologia agora e menos daqui a um ano, um time terceirizado acompanha essa variação sem demissões nem contratações às pressas.
E tem o caso de quem quer testar antes de apostar alto. Com um parceiro, dá para construir uma primeira versão pequena, colocar na mão de quem vai usar e só depois decidir se o investimento maior faz sentido.
Dá para combinar as duas coisas?
Dá. Alguns caminhos comuns:
- Começar com um time de fora para resolver os problemas mais urgentes e, com o tempo, contratar alguém interno para ser o dono da tecnologia dentro da casa.
- Manter uma pessoa interna que conhece o negócio e coordena, com um time terceirizado fazendo a construção.
- Ter um time interno cuidando do sistema principal e chamar um parceiro para projetos específicos, como automatizar um processo ou substituir um sistema antigo.
O modelo misto funciona bem quando os papéis ficam claros. Quem decide o que construir, quem constrói, quem mantém. Quando isso fica nebuloso, os dois lados se atropelam.
Como tomar essa decisão na prática?
Antes de escolher o modelo, responda algumas perguntas com honestidade.
A tecnologia é o que você vende ou é o que faz a sua operação funcionar? Você sabe o que precisa ser construído, ou ainda está tentando entender onde a operação perde tempo? Tem alguém na empresa capaz de liderar um time técnico? A demanda de tecnologia é constante ou vem em ondas? Quanto tempo você pode esperar até ver algo funcionando?
Se a maior parte das respostas aponta para “ainda não sei”, o primeiro passo não é contratar ninguém. É entender o problema. Um diagnóstico de duas semanas, olhando os processos e sistemas que você já tem, mostra onde a operação perde tempo, o que vale automatizar ou construir primeiro e quanto cada item custa. Com esse mapa na mão, a escolha entre interno, terceirizado ou os dois fica muito mais clara.
Seja qual for o caminho, o erro mais caro é decidir pelo modelo antes de entender o problema. Se quiser pensar nisso junto com a gente, uma conversa de 20 minutos já ajuda a separar o que é urgente do que pode esperar.
Escrito por
Fundador e engenheiro responsável da The Fant Company. Engenheiro responsável por plataformas usadas todos os dias na gestão de organizações e em operações de eventos ao vivo.